0 MANOEL DE BARROS FOI BELISCAR A ETERNIDADE



Uma das figuras mais importantes da literatura brasileira nos deixou hoje, Manoel de Barros. O conheci a partir do filme "Só dez por cento é mentira", que fala de sua vida e obra. Manoel escreveu seu primeiro poema aos 19 anos. Seu primeiro livro foi publicado no Rio de Janeiro e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele. Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." Geraldo Carneiro afirma: "Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímido Nequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".

Para mim Manoel de Barros não morreu, só foi ali beliscar a eternidade.

0 PAULINHO DA VIOLA, PARABÉNS



Hoje é aniversário do grande Paulinho da Viola. Filho de Benedito César Ramos de Faria, violonista do conjunto Época de Ouro. Desde criança conviveu com músicos como Pixinguinha e Jacob do Bandolim, que freqüentavam sua casa. Embora seu pai quisesse que o filho seguisse outra carreira que não a de músico, começou a estudar violão sozinho, aperfeiçoando-se, mais tarde, com o amigo Zé Maria. Acho Paulinho da Viola incrível. Fui a apenas um show dele e o que mais me encantou foi a sua simpatia e doçura. Uma das músicas dele que mais gosto é “Sinal Fechado”. E adoro esse dueto com o Lobão. Super inusitado e pouquíssimas pessoas conhecem. E por isso achei interessante postar. Espero que gostem.

0 CECÍLIA MEIRELES, PARABÉNS




Hoje é aniversário de nascimento da Cecília Meireles. Uma das figuras mais importantes da literatura de língua portuguesa. Ela nasceu no bairro da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901. Aos nove anos começou a escrever poesia. Aos dezoito publicou seu primeiro livro. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil do Brasil. Em 1939 publicou Viagem, livro com o qual ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

"Nasci três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade. Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

0 RECIFE E A ALEGRIA DE LULA DO PILÃO




O Pé na Rua é um programa que acabei de conhecer e já gosto muito. Ele mostra a cidade sob diversos ângulos. Tem o sotaque do povo, a voz do povo, a cor do povo. O programa dá voz à população das periferias que, em geral, não encontra espaço de mostrar, nos meios de comunicação tradicionais, o que pensa e como vive. Esse episódio nos apresenta Lula do Pilão que mora no Alto José Bonifácio, no Recife. Artesão, torneiro, sanfoneiro, ex-palhaço e dono de uma inspiradora alegria de viver. Me encantei com as palavras desse personagem tão brasileiro. E cada vez que ouço histórias como a dele me convenço mais de que o segredo da vida está na simplicidade das coisas. 

“O que mais me aperreia é a velhice chegando e eu com pena de deixar o mundo. O mundo é bom demais”

0 CAZUZA E A BALADA DE WALY SALOMÃO



“Balada de um Vagabundo” é uma canção do primeiro disco solo do Cazuza lançado em 1985 logo após sua saída do Barão Vermelho. Apesar de trazer alguns clássicos como “Exagero” (que nomeia o disco) e “Só as mães são felizes”, a faixa “Balada de um Vagabundo” é a que mais me chama a atenção nesse álbum. O mais curioso é que a letra não é do Cazuza e sim do poeta Waly Salomão, compositor de alguns clássicos da música brasileira, como “Vapor Barato”. Ele ainda foi responsável pela produção do disco “Veneno AntiMonotonia” da Cassia Eller, álbum em homenagem a Cazuza. Em toda sua discografia Cazuza gravou poucas músicas em que não participava da composição. E está foi a primeira. “Escrevi Balada de um Vagabundo para ele [Cazuza]. Teci este poema como mentira sincera de uma suposta simbiose Helio Oiticica-Cazuza. Como se os cavalos de Oiticica e de Cazuza tivessem baixado em mim”, dizia Waly Salomão. Cazuza achava que a música o defina muito bem. Gostava, especialmente, do trecho que resumia sua personalidade: “Eu sou o beijo da boca do luxo na boca do lixo.”

3 MORADORES INVISÍVEIS NAS CIDADES




Descobri esse belíssimo projeto no Facebook chamado Rio Invisível, onde são contadas histórias de moradores de rua da cidade do Rio na tentativa de redirecionar o olhar da população e com isso reconhecer o próximo como nosso semelhante. Além do Rio de Janeiro algumas outras cidades estão com iniciativa parecida, como São Paulo e Nova Iorque. Pelo o que entendi o projeto começou por lá. Vale a pena da uma conferida nessas história incríveis.

José Carlos:

“Meu nome é José Carlos, eu tenho 27 anos. Minha mãe morreu quando eu tinha 5. Fui morar com meu pai e mais três irmãos. Quando meu pai faleceu, perdi contato com quase todos, menos com uma irmã. Até o dia em que ela faleceu, foi atropelada. Aí ficou meio que cada um por si.

Perdi minha casa em 2010. Um dia tava voltando pra casa e fui avisado que ou eu ia embora ou iria morrer. Aí eu tive que deixar tudo pra trás, nem meus documentos eu peguei. E isso complica né, porque assim não consigo nem um emprego direito.

A vida na rua é muito difícil, a gente enfrenta o preconceito todos os dias. As pessoas já partem do princípio que você é vagabundo, te olham torto, já definem que a gente não presta e nos tratam com desprezo. Por isso que eu não gosto de pedir dinheiro pras pessoas. Quem pede realmente precisa, mas, pra não incomodar ninguém, cato umas latinha pra ter um trocado ou fico com fome mesmo. Na minha vida eu prefiro caminhar sozinho. Já tive até uns amigos, mas eles só ficam do seu lado por interesse. Muitas vezes já fui levado pra delegacia, mesmo eu não tendo feito nada. Ai é aquele constrangimento, você ter que provar que sua ficha é limpa e ainda duvidarem disso.”

José Carlos disse ter muitas histórias e falou que da próxima vez era pra avisar antes pra ele tomar um banho e botar uma boa roupa pra tirar foto. Ele contou que possui metas. A “curto prazo”, é ter dinheiro pra comprar uma caixa de isopor e bebidas pra poder vender e juntar um dinheiro. A “longo prazo”, quer conhecer um advogado que possa ajudá-lo a voltar a ter uma casa.

Na hora de despedir, José disse “mas fica tranquilo, vai dar tudo certo".
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